Webcomic: Os quadrinhos em domínio público de STEVE DITKO!

Quem lê quadrinhos de super-heróis tem ao menos uma noção de quem é Steve Ditko – co-criador do Homem-Aranha, além de outros personagens icônicos (tá certo, alguns nem tão icônicos assim…) da Marvel e da DC: o mago Doutor Estranho, o implacável Questão (e seu remake, Mister A), o excêntrico Rastejante, o divertido Besouro Azul, a dupla Rapina e Columba…

Alguns dos personagens criados por Steve Ditko.

Alguns dos personagens criados por Steve Ditko.

Ditko é um artista de longa carreira, tendo começado profissionalmente em 1953. Durante quase toda a década de 50, ele trabalhou para uma companhia chamada Charlton Comics – editora que produzia variados títulos em quadrinhos, de super-heróis a faroeste, passando por antologias de horror, ficção científica e HQs românticas. Boa parte dos super-heróis da Charlton –  Capitão Átomo, além dos já mencionados Besouro Azul e Questão, entre outros – foram adquiridos pela DC Comics em 1983, e adicionados ao universo de seus próprios super-heróis logo em seguida.

Um retrato do "hômi" e seus personagens. Capa da revista Ditkomania nº 72, desenhada por Larry Blake.

Um retrato do “hômi” e seus personagens. Capa da revista Ditkomania nº 72, desenhada por Larry Blake.

Mas aqui não falaremos dos super-heróis da Charlton, nem mesmo aqueles criados por Ditko. Nosso foco recai sobre as fantásticas HQs desse artista, produzidas para a Charlton… e que entraram em Domínio Público! Sim, muitos títulos da Charlton não tiveram o seu copyright renovado – numa época quando isso era necessário – e consequentemente tiveram seus direitos expirados. E o que isso significa? Que qualquer um pode fazer o que quiser com essas histórias: utilizar os seus desenhos e enredos em outros trabalhos, sejam quadrinhos ou não;  traduzi-las para outros idiomas (embora ninguém tenha feito isso ainda); adaptá-las para outros meios (como cinema, animação ou, sei lá, radionovelas, a imaginação é o limite!); ou então, simplesmente, distribui-las gratuitamente na net, sem perigo de ser processado por quem quer que seja. Portais como o The Digital Comic Museum e o Comic Book Plus realizam o trabalho de reunir essas HQs e disponibilizá-las ao público.

E o blog “quase-oficial” de Steve Ditko reuniu todas as histórias produzidas pelo artista para a Charlton Comics e que já estão em domínio público! Ele era bastante prolífico, tendo criado pelo menos 206 HQs num período de 7 anos – como cada história tem em média 4 páginas, temos então quase 900 páginas de quadrinhos para ler gratuitamente!

Na sua maioria, são quadrinhos de ficção científica e terror, com algumas incursões no faroeste – embora todas as HQs tenham um componente fantástico e inusitado, além de um final que visa surpreender o leitor. Existe muita coisa que não surpreende mais ninguém hoje em dia, visto que somos bombardeados com histórias constantemente, por tudo quanto é mídia. Entretanto, há muitas pérolas no meio de todos esses contos de Ditko: a narrativa do artista é sempre excelente. Os desenhos, embora um pouco fora de moda de acordo com os padrões dos quadrinhos atuais, são muito bem executados, com personagens expressivos, cenários soberbos e cenas de ação dinâmicas. E os roteiros são, no mínimo, interessantes.

Isso é que é poder de síntese: Moment of Decision, HQ de uma página só!

Isso é que é poder de síntese: Moment of Decision, HQ de uma página só!

Uma das minhas HQs favoritas chama-se Automata Ultima, onde máquinas continuam a construir armas mesmo depois de finda a guerra. Bela narração, com imagens de ficção científica retrô e uma pequena lição de moral. Abaixo, reproduzo a história na íntegra:

ultima1

ultima2

ultima3

Outro conto que aprecio bastante chame-se Desert Spell, e fala de um comandante nazista que ressurge alguns anos após à guerra, e planeja ressuscitar o Terceiro Reich. Aqui vemos uma diagramação soberba – sem falar no protagonista, fisicamente muito parecido com o Norman Osborn, que Ditko criaria alguns anos depois… Aqui, reproduzo apenas uma das páginas da obra:

desertspell3

Todas as HQs podem ser lidas neste link.

Música: Torture Division, coisa linda de Deus (só que não)

Tudo nesse mundo é comercializável, até mesmo a arte. Nada contra, afinal, se você tem um talento, qual é o problema em capitalizar em cima dele? Contudo, admiro deveras quando um artista, mesmo possuidor de talento e meios para fazer dinheiro com ele, oferece o produto de sua labuta de graça, para todos desfrutarem. É por isso que esse blog existe, para falar de pessoas como os membros da banda sueca Torture Division.

Imagem

“We are Torture Division. We are an army of three. We are the world’s best death metal band, simply put.”
É desse jeito “humilde” que a banda Torture Division inicia o texto da própria biografia. Se trata de uma brincadeira, é claro, mas o fato é que o trio sabe como fazer um death metal com maestria – sem dever nada a bandas de longa carreira como Cannibal Corpse ou Deicide. Não que os membros do TD sejam amadores: o guitarrista (e provável líder da banda) Lord K. Philipson toca no The Project Hate MCMXCIX, grupo de death metal industrial com alguns anos de estrada; o batera Toben Gustafsson pulverizava baquetas no Vomitory; e o baixista/vocalista Jörgen Sandström já foi membro do Entombed!

Uma canção com um título muito edificante

Os três se reuniram em 2007, com intenção de gravar algumas demos e… bem, eles ainda gravam demos, pois dizem não possuir interesse em produzir álbuns completos. O interessante é que essas “demos” tem uma qualidade de gravação absurda, coisa profissional mesmo, tendo sido mixadas e masterizadas pelo lendário Dan Swanö (a mente por trás das bandas Edge of Sanity e Nightingale) em seu estúdio Unisound.

A banda lança uma coletânea a cada três demos. Já saíram três trilogias até o momento, e eles estão dando um “tapa” final no novo lançamento.

Outra coisa bacana é que toda a música do Torture Division está disponível na licença Creative Commons 4.0, ou seja, ela pode ser distribuída em qualquer formato, e também pode ser “coverizada” ou remixada por quem que seja – desde que a autoria da canção original seja atribuída aos membros da banda. Tem como não gostar desses caras? Tem, se você tiver ouvidos sensíveis, hehe!

Página oficial: http://www.torturedivision.net/
Baixar (música e arte das capas): http://www.torturedivision.net/downloadgraphy

Diretor: Os sombrios curtas-metragens de Grzegorz Jonkajtys

Guardem bem o nome de Grzegorz Jonkajtys.  Não apenas porque é um nome horrivelmente difícil de escrever, mas também porque esse desenhista e animador polonês tem muitas chances de se tornar um dos grandes diretores de cinema num futuro próximo.

Nascido em 1972 na cidade de Varsóvia, Jonkajtys começou sua carreira na empresa polonesa Platige Image, onde dirigiu comerciais e curtas-metragens (falaremos deles mais adiante). Enquanto estava na Platige, Jonkajtys também trabalhou criando os efeitos especiais em CGI para filmes como Sin City, Hellboy, o Labirinto do Fauno, Círculo de Fogo, Star Trek e Capitão América 2, entre outros.

Seus curtas-metragens se destacam por possuírem uma atmosfera sombria, um design de personagens grotesco – nas animações, mesmo os humanos se assemelham a alienígenas – e enredos onde predominam a dor e o sofrimento. Não é material a ser mostrado para crianças, então estejam avisados!

O primeiro curta deste artista chama-se Mantis, e foi lançado em 2001. Mantis significa “louva-a-deus” em inglês, e quem conhece o comportamento peculiar desse inseto talvez já saiba o que esperar deste filme:

O segundo filme de Jonkajtys chama-se Ark – e foi essa produção que o fez ser conhecido internacionalmente, ao vencer a Palma de Ouro em Cannes em 2007. Ark se passa num futuro onde um vírus exterminou grande parte da população do planeta. e os sobreviventes passaram a viver em gigantescos navios, viajando pelo oceano sem destino certo. Mas nada é o que parece, como podem conferir abaixo:

Em 2008, aparece o curtíssimo Legacy, de apenas 3 minutos. Não tem como dizer nada sobre o enredo de Legacy sem estragar surpresas, é melhor conferir com os próprios olhos:

Finalmente, em 2010, é lançado The 3rd Letter (a Terceira Carta), o primeiro trabalho em live action do diretor. Num futuro distópico (já deu para perceber o quanto Jonkajtys gosta deste cenário, né?) o clima se deteriorou a tal ponto que as pessoas necessitam de órgãos artificiais para sobreviver. Sim, lembra um pouco o enredo básico do filme Repo Men  – O Resgate de Órgãos, mas o desenrolar é mais realista, relacionado às consequências de se assinar um contrato de plano de saúde com cláusulas draconianas. Infelizmente, ao contrário dos outros curtas mencionados, The 3rd Letter possui diálogos em inglês sem legendas, então só dominando o idioma para entender! Confiram:

Atualmente, Jonkajtys vive em São Francisco, nos EUA, e se prepara para dirigir o seu primeiro longa, intitulado The Fourth Horseman.

Página oficial: http://www.jonkajtysfilm.com/
Ark: stream e download.
Legacy: stream e download. Link alternativo: http://vodo.net/legacy
The 3rd Letter: stream e download. Link alternativo (vem na coletânea de curtas Otherworlds, que também possui outros filmes muito interessantes): http://vodo.net/otherworlds

Webcomic: Entrevista com Digo Freitas, a mente por trás do Esboçais

 

A internet é, sem sombra de dúvidas, o melhor meio de divulgação e difusão dos quadrinhos nacionais na atualidade. Bem mais do que a mídia impressa, cuja primazia no interesse da maioria dos leitores ainda pertence aos super-heróis e mangás. Graças à internet – e mais especificamente às redes sociais, como o Facebook – muitos quadrinistas nacionais foram revelados e caíram nas graças do público. Entre eles, estão nomes como Carlos Ruas (Um Sábado Qualquer), Sólon Maia (Meus Nervos!), Fábio “Coala” Cavalcanti (Mentirinhas) e Rodrigo Freitas, mais conhecido como Digo.

Desde 2010, Digo mantém o site Esboçais, onde publicou, até outubro de 2013, tiras humorísticas com alguns personagens fixos – o Pedreiro com suas cantadas esdrúxulas, além da dupla de paquidermes Mamu e Le Fan – e sátiras variadas à situações do cotidiano. Em 2014, Digo resolveu interromper a produção no Esboçais e criou um novo site, DigoFreitas.com, onde desenvolve HQs com teor mais aventuresco e pessoal, no esquema de uma página por semana.

Conheça mais sobre a trajetória e o trabalho dele na entrevista abaixo:

1. Como surgiu a ideia do Esboçais? Você já fazia quadrinhos antes de criar o site?

 

Um amigo meu gostava das tiras que eu fazia no caderno durante as aulas e me mostrou que tinha todas salvas no seu PC, porque eu colocava na época tudo no meu Orkut, isso lá em 2010. Eram as do Guizo, que ainda estão no site. Para hospedá-las eu criei um Blogger e comecei a postar todas que fazia lá… Pro nome eu acho que demorei um dia pensando até achar algo que tivesse a ver com desenhos mal feitos, porque a ideia inicial era postar somente tiras no caderno a lápis e tal. Esboçais entrou assim, como uma brincadeira com “esboço” e também com “ex-boçais”. O problema maior é a cedilha, ninguém nunca entendia quando eu falava o nome do site, acho que perdi vários acesso por causa desse nome maldito hahaha…

Um mês depois um outro amigo me ofereceu hospedagem por um preço bom e eu coloquei o site no “.com.br“, onde o site cresceu e se tornou mais maduro. Com o passar do tempo, personagens foram surgindo e saindo, mudei bastante o layout, a abordagem das piadas, roteiros, etc. Até que em 2013 eu decidi que iria parar de fazer tiras para focar em quadrinhos maiores e mais importantes, por isso o site está congelado desde Setembro sem novidades.

Eu não produzia nada antes disso, apenas rabiscos aleatórios, desenhava “pouco”, nunca tinha feito cursos. Sempre diziam que eu tinha talento, mas eu era mais viciado em computador do que desenhar, porém nunca parei de verdade. A coisa foi invertendo por causa do site. Eu precisava desenhar toda semana e cada vez eu exigia mais de mim mesmo. No auge eu cheguei a ter 128 mil visualizações em um mês. Sempre quis fazer um curso de desenho, então paguei do bolso, visto que eu já estava trabalhando. Foi aí que a minha saga nos quadrinhos começou de verdade, ou pelo menos ficou mais “hardcore”.

Imagem

 

2. Você tem alguma formação acadêmica relativa à Artes/Desenhos? Acha tal formação essencial para um contador de histórias?

Pra ser sincero, minha formação formal toda é na área de Tecnologia da Informação. Na área de artes eu tenho um curso de Ilustração, que fiz aqui em Campinas com o meu grande mestre Mario Cau na escola Pandora, e agora estou fazendo outro curso mais avançado voltado para o mercado de ilustração, que se chama Ilustração de Mercado. Vale a pena para dar uma melhorada na arte, mas sem esforço e dedicação, não tem jeito. Não existe milagre.
Pra quem quer ser um contador de histórias, tem que estudar sim, e muito: roteiro, diagramação, layout, criação de personagens, cenário, diálogos, etc; tudo que envolve uma história em quadrinhos. Eu acabei aprendendo muita coisa na raça ou correndo atrás sozinho, mas existem excelentes cursos onde você pode aprender essas coisas com um professor. Mas acima de tudo tem que ler de tudo, absorver o máximo e gostar do faz.

Imagem

Mamu & Le Fan, tirinha sobre um Mamute ingênuo e um elefante sacana!

 

3. Quais são suas maiores influências enquanto contador de histórias? Pode mencionar quadrinhos, filmes, pessoas, etc, o que quiser!

Bom, teve uma época que eu era fanático por Scott Pilgrim, outra por Full Metal Alchemist, já foi Turma da Mônica mais na infância, mas tem uma paixão que eu nunca me afastei: a arte do criador de Dragon Ball, sensei Akira Toriyama.
Dele eu recomendo tudo, não existe quadrinho ruim do Toriyama-sensei. Alguns ninguém conhece direito por aqui, como SandLand ou Kajika, mas foram lançados pela Conrad e dá para achar por aí. Eu compro tudo que posso dele, e nunca paro de aprender.
Aliás falando em aprender, ele tem um livro-mangá que se chama “Mangaka”, sobre criação de mangás, mas tem dicas ótimas para qualquer quadrinista.
Filme preferido é De Volta para o Futuro, toda a trilogia. Meus filmes da vida. Não tem muita a ver com o que eu faço, mas sempre tá na memória.

Imagem

Obviamente, este é o Pedreiro!

 

4. Falando um pouco dos seus quadrinhos no Esboçais, como surgiu o Pedreiro? Era o personagem mais popular? Afinal, de todos os seus personagens ele é o único que possui um livro impresso!

O Pedreiro surgiu por acaso. Sempre conto essa história, aí é bom que eu não esqueço, já que tenho uma memória péssima. Eu fiz uma tira com uma cantada daquele perfil do Twitter “@PedreiroOnline”, que na verdade era controlado por duas garotas, como fiquei sabendo depois. Como no texto do post dessa tira eu citava o perfil, acabou aparecendo quando meu sogro (pai da namorada) divulgou, aí eles viram, também compartilharam a tira e eu entrei em contato para ver se a gente poderia fazer uma parceria, já que eles tinham um público legal e eu queria poder ter eles como meus visitantes.
Rolou uma conversa, elas falaram como seria o personagem, mas a minha pegada era diferente e tal, acabou saindo um “Johnny Bravo brasileiro”.
Só que a parceria não durou muito, logo elas começaram a reclamar de algumas coisas, depois não davam retorno… Aí eu toquei o f*-se e continuei o personagem sozinho.
Ele é bem popular, mais do que eu imagino, porque sempre que eu vou vender o livro em algum lugar as pessoas me dizem que já viram em minhas tiras no Facebook ou outros sites, tipo o Testosterona. A gente acaba perdendo o controle, então só quando falam que a gente descobre essas coisas.
A história do livro é curiosa. Eu queria na verdade fazer um do Mamu & Le Fan para o FIQ 2013, mas eu sabia que não ia vender para quem não conhecesse os personagens, então apostei no mais genérico, que todo mundo entende o que é “cantada de pedreiro”, e deu certo, foi um sucesso de vendas. As pessoas nem sabem quem sou eu, mas acham maneiro o meu trabalho e compram o livro ou para si ou para dar de presente, e é bem legal ver as pessoas rindo assim, ao vivo.

Imagem

Imagem

Imagem

Algumas das primeiras tiras do Pedreiro

 

5. Por falar nisso, acha natural toda webcomic “migrar” para a mídia impressa em dado momento? Ou pensa que certas HQs funcionam melhor estando no meio digital?

Natural é, não tem nada de errado nisso, mas não é obrigatório. Depende muito do que você quer com seu trabalho. Atualmente eu só faço trabalhos para publicar impresso depois, assim tenho um trabalho só, e não dois. A webcomic cria o público para você e é um teste de aprovação também. Tem gente que nem aprova esse paradigma de quadrinhos online de graça, mas mesmo assim publica na web para testar a receptividade da obra.

O livro geralmente vem para ajudar a custear o site, dar um dinheiro para o autor e para divulgar para outros públicos o seu trabalho. É bem vantajoso, mas tem que ter cuidado. Não é fácil colocar numa livraria e às vezes nem vale a pena, aí tem que vender de um em um, ou em convenções como o FIQ e o Gibicon, que tem um público legal para HQ independente. Por isso que nessa área é essencial ter muitos amigos.
Existem quadrinhos, por exemplo, que só existem no digital e migrar seria uma crueldade. O Diário de Virgínia, feito pela minha amiga Cátia Ana, é um baita exemplo disso, recomendo a todos que leiam a partir do primeiro capítulo.

Imagem

 

6. Existe algum tipo de união entre os membros da “cena webcomic” no Brasil?

Existem vários coletivos oficiais e não oficiais. Em 2010 a gente tinha um grupo de email do Yahoo que chamava Webcomics Brasil, chegamos a fazer encontros pessoais e diversas parcerias e eventos online, inclusive um que o Maurício de Sousa viu, foi muito legal. Eu recriei este grupo no Facebook, chamei alguns outros amigos e atualmente ele tem quase 400 membros, todos autores publicando diariamente. Tenho muito orgulho de ter disponibilizado este espaço e ele estar dando certo.
Hoje eu faço parte de um coletivo chamado Café com HQ, com foco em podcast, mas também fazemos outros tipos de matérias sobre webcomics. Este ano pretendemos começar a publicar mais em nosso site, então baixem os podcasts, escutem e acompanhem o site!
Agora tem outros grupos também, como o WC², que eu faço parte, mas infelizmente vai acabar, o Petisco, que publica entre outros o Terapia, ganhador do HQMix 2013, tem o Quadrinhópole, a galera do Quadrinhos Rasos/Pandemônio que cresceu bastante… Enfim, muita gente.

 

7. A respeito de sua nova fase: o que te levou a interromper o Esboçais e começar o DigoFreitas.Com?

Foi o desconforto em diversas coisas, mas principalmente a falta de tempo para manter as duas ideias. Eu já estava numa fase onde fazer a tira não era mais tão divertido e queria drogas mais pesadas  tipo quadrinhos longos (rs). Uma decisão muito difícil, mas necessária. O Tinta Fresca, por exemplo, tava na minha cabeça havia quase 2 anos antes de entrar a primeira página, dia 31/12/2013. Para você ver como foi duro abandonar um trabalho tão duradouro e tão bons frutos, como foi o Esboçais, ainda mais que eu tinha acabado de lançar o primeiro livro do Pedreiro e pretendia lançar outros, mas parece que ele vai ficar só no volume 1 mesmo.

Imagem

Primeira página de Tinta Fresca

 

8. Poderia nos falar mais sobre as suas novas webcomics? Pretende imprimi-las algum dia?

Eu não posso espalhar muito meus planos, mas o que posso dizer é que cada capítulo do Tinta Fresca terá 23 páginas e um dia esses capítulos serão impressos.
Essa webcomic é sobre um garoto que após ser preso por estar grafitando ilegalmente é salvo por um professor de desenho que finge ser seu advogado. O resto é spoiler até o fim do capítulo, em junho ou julho.
A DISCO eu estou apenas colorindo, já que foi uma HQ que fiz para vender no FIQ, então entra uma página colorida dessa por mês até o fim do ano.
O Diário de Ideias Gráficas (pouco) Originais (vulgo D.I.G.O.) está parado até eu estabilizar o fluxo de páginas do Tinta Fresca. Até lá, não é prioridade, já que é uma série de humor quase sem roteiro definido.

Imagem

Primeira página de Disco, HQ de ficção científica que vem sendo publicada no novo site

 

9. O humor, de uma forma geral, é o gênero mais popular dos produtos de entretenimento no Brasil. Os filmes e peças de teatro brasileiras mais populares são as comédias. E nas redes sociais, os webcomics de comédia são, disparado, os mais compartilhados. Ao dar esse passo com suas novas HQs, tem algum receio de perder a popularidade conquistada com o Esboçais?

Sim, com certeza eu perdi a grande maioria do meu público. Mas o meu nome não foi esquecido, ainda tenho centenas de amigos na internet que eu sei que apoiam meus quadrinhos e eu sei que muita gente que acompanhava o Esboçais hoje acompanha este novo também, o pessoal sempre vem elogiar e comentar, isso é muito bom. A piada fácil, o riso rápido, as coisas voláteis, tudo bomba mais fácil na internet do que um site que você entra e vai lendo página a página. No Esboçais eu tinha esse público mais desligado, agora nesse novo eu acabei filtrando muito, porque nem todo mundo gosta desse tipo de história, sobre um moleque e suas aventuras…
Enfim, quando eu desisti do Esboçais eu já tinha tudo isso em mente, então não é nada chocante ver os acessos em menores que antes, mas sobre o que eu disse lá atrás, pra mim vale, e muito: goste do que faz. E eu amo isso aqui!

Imagem

 

10. Muito obrigado pela entrevista. Se quiser acrescentar algo além do que você respondeu, pode falar!

Bom, primeiramente obrigado pelo convite, eu gosto muito de dar entrevistas, conversas sobre quadrinhos e coisas aleatórias, por isso fico feliz em estar aqui. Convido a todos que gostaram do jeito que falo (ou escrevo…?) a visitar o nosso site do Café com HQ (http://cafecomhq.com), onde temos um podcast e discutimos muita coisa sobre webcomics e quadrinhos e besteira também.
Claro, acessem o Quadrinhos do Digo (http://digofreitas.com/hq/), leiam Tinta Fresca e comentem lá o que acharam.
Aos que gostam de piadinhas, o Esboçais está hibernando, mas ainda está entre nós, podem acessar lá: http://esbocais.com.br
Se gostarem, comprem meus livros aqui, é baratinho: http://digofreitas.com/blog/loja/
Trabalho também como ilustrador, se precisarem de um desenho, é só colocar um holofote de morcego no ar que eu apareço, ou então entrem em contato em uma das formas a seguir.
Curtam minha fanpage no Facebook: http://fb.com/DigoFreitasHQ, sigam-me no Twitter: http://twitter.com/DigoFreitasHQ
Isso aí. Valeu, Bruno, até a próxima.
Abração!

Curta-metragem e Webcomic: Bátima – Feira da Fruta em quadrinhos!

No Brasil, a zueira não tem limites. Nenhuma situação ou história parece ser séria o suficiente para se ver livre de algum tipo de paródia! O que dizer, então, de algo pertencente à cultura pop, como o Batman – um dos personagens de quadrinhos mais conhecidos no mundo todo? O fato é que nem Bob Kane nem Bill Finger, criadores do defensor de Gotham City, imaginariam que algumas das melhores paródias do personagem seriam feitas aqui no Brasil: estamos falando do melhor filme do morcegão, BÁTIMA – FEIRA DE FRUTA, e de sua adaptação para quadrinhos (!).

Tudo começou em 1981, quando dois amigos chamados Fernando Dutra Pettinati e Antônio Carlos Camano (hoje em dia dois respeitáveis senhores de 50 anos) resolveram redublar um episódio do antigo seriado do Batman – aquele da década de 60 – utilizando uma funcionalidade especial dum videocassete importado. Foi gravada uma fita VHS com a redublagem, que depois de um tempo acabou sendo perdida. 20 anos depois, o vídeo caiu na net, e se tornou um dos primeiros virais brasileiros.

O resultado foi hilário! Não há “história”, é simplesmente uma sucessão de palavrões e asneiras que faz a alegria daquele tipo de pessoa que curtia programas como o Tela Class, do grupo de humor Hermes e Renato – aliás, eles certamente foram influenciados pela paródia criada por Fernando e Antônio.

Quem quer que tenha posto o vídeo na net, acabou incluindo a música “Feira de Fruta” (feita por uma banda da década de 70 chamada Grupo Capote) como trilha sonora, daí o nome pelo qual o filme ficou conhecido. A coisa ficou tão grande que a dupla responsável pela redublagem lançou até um livro contando os bastidores da “produção”…

Mas, como diria o narrador da Polishop, espere, tem mais! Um grupo de quadrinhistas brasileiros se reuniu para… preparem-se… Adaptar a paródia para as HQs! Na verdade a iniciativa partiu do cartunista Eduardo Ferigato – artista de mão cheia, co-criador da excelente graphic novel Quad.

Eduardo ficou responsável por umas seis páginas do projeto, ao passo que os outros desenhistas criaram uma ou duas páginas cada. A qualidade varia, mas o resultado final ficou espetacular! Até desenhistas consagrados, como Roger Cruz, Amílcar Pinna e Greg Tocchini participaram da empreitada! Confira o resultado nesse blog! O projeto começou em maio de 2013 e foi concluído em dezembro do mesmo ano. Abaixo, o vídeo original, e algumas das páginas da HQ.

Imagem

Imagem

Imagem

Feira da Fruta ê, Feira da Fruta ah!

Diretor: Bruce Branit, construtor de mundos

Bruce Branit é um nome relativamente desconhecido do público de cinema, embora já seja um veterano da indústria: Branit é dono da BanitFX, empresa que cria efeitos especiais de produções como Lost, Breaking Bad, Fringe, Person of Interest e Pushing Daisies (Um Toque de Vida).

Mas o que nos interessa aqui são os dois dos curtas-metragens que ele realizou como diretor. O primeiro deles é 405, feito lá no ano 2000, quando o Youtube ainda não existia e os programas de renderização em CGI eram bem mais caros (não havia um software, como o Blender, disponível ao público geral). 405 trata de um pouso forçado numa auto-estrada, com um toque de humor e absurdo. Vejam abaixo, não é necessário entender inglês para apreciar:

 Um outro curta deste diretor se chama World Builder, iniciado em 2004 e finalizado em 2007. Muito mais ambicioso que 405, este filme conta a história de um homem que tenta construir um bairro italiano num mundo virtual, antes que o prazo se esgote. Mas por qual motivo? Assista abaixo para saber! Aqui, conhecimentos da língua inglesa também são dispensados:

 

 Apesar da qualidade, o diretor declarou numa entrevista muito bacana que este curta foi rejeitado em vários festivais de cinema no mundo. Contudo, venceu prêmios em todas as mostras onde foi aceito! E aguardem, Branit declarou sobre a possibilidade de uma versão em longa-metragem desta história em breve.

Conheça mais sobre o realizador aqui.

Webcomic: Gates

Distopias são comuns na ficção em geral. Na literatura, temos livros consagrados como 1984, Admirável Mundo Novo e o brasileiro Não Verás País Nenhum. No cinema, existem inúmeros exemplos, como Mad Max, O Livro de Eli, O Preço do amanhã e MUITOS outros (aliás, é engraçado, mas parece que as distopias de Hollywood se dividem em futuros-pós-apocalípticos-dominados-por-gangues e futuros-ultra-tecnológicos-dominados-por-governos-totalitários). E nos quadrinhos, então? Uma porrada de histórias, sendo V de Vingança uma dos melhores – e mais populares atualmente.

Porque apreciamos tanto contar e usufruir histórias sobre distopias? Sem querer filosofar muito, eu acho que sabemos que a situação atual está ruim, temos consciência de que irá piorar, mas também possuímos esperança de que alguém irá nos salvar. Afinal, uma das coisas essenciais a uma distopia é um protagonista que enfrenta o sistema!

Imagem

Pois com Gates, a webcomic da qual falarei, não é diferente. Vejamos: existe um governo totalitário, o ConGenement, que controla todos os aspectos da vida dos cidadãos, do nascimento (nenhuma pessoa nasce naturalmente, apenas através de clonagem) à morte, quando as pessoas praticamente se sacrificam para dar origem aos novos habitantes da colônia. Temos um cenário pós-apocalíptico: o mundo aparentemente foi quase todo destruído, e o único local que permite a sobrevivência dos seres humanos é uma colônia subterrânea, dominada pelo ConGenement. E temos um herói que se rebela, um rapaz chamado Gates, que foi concebido de forma natural (ou seja, seus pais fizeram sexo e ele nasceu nove meses depois) e procura saber como é o mundo fora da colônia, por desconfiar que há mais no mundo exterior do que o governo revela.

Esta HQ foi criada por Hal Hefner, um designer, roteirista e desenhista que concebeu todo um universo de personagens e histórias chamado The Serpent Seed – um projeto transmídia que englobaria Hqs, games e desenhos animados, contando várias histórias que se interligam. Por enquanto, Gates foi o único projeto de Serpent Seed já finalizado.

Gates possui 68 páginas, e foi disponibilizada de forma gratuita na net com o apoio da Heavy Metal Fantasy Magazine – uma antologia em quadrinhos criada na década de 70, e que já publicou nomes de peso como Moebius, Alejandro Jodorowski, Simon Bisley, Tanino Liberatore e o brasileiro Marcelo Quintanilha. Como quase toda HQ da Heavy Metal, Gates possui uma arte impressionante (embora um tanto irregular neste caso), um roteiro interessante e uma quantidade razoável de sangue e nudez. Então, fiquem avisados, sejam discretos ao ler a história em seus PCs/tablets/smartphones!

A graphic novel pode ser lida (a partir da primeira página da história, pulando frontispício e capas) aqui. Vale a pena acompanhar a história até o final. Ah sim, está em inglês!