Webcomic: Gates

Distopias são comuns na ficção em geral. Na literatura, temos livros consagrados como 1984, Admirável Mundo Novo e o brasileiro Não Verás País Nenhum. No cinema, existem inúmeros exemplos, como Mad Max, O Livro de Eli, O Preço do amanhã e MUITOS outros (aliás, é engraçado, mas parece que as distopias de Hollywood se dividem em futuros-pós-apocalípticos-dominados-por-gangues e futuros-ultra-tecnológicos-dominados-por-governos-totalitários). E nos quadrinhos, então? Uma porrada de histórias, sendo V de Vingança uma dos melhores – e mais populares atualmente.

Porque apreciamos tanto contar e usufruir histórias sobre distopias? Sem querer filosofar muito, eu acho que sabemos que a situação atual está ruim, temos consciência de que irá piorar, mas também possuímos esperança de que alguém irá nos salvar. Afinal, uma das coisas essenciais a uma distopia é um protagonista que enfrenta o sistema!

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Pois com Gates, a webcomic da qual falarei, não é diferente. Vejamos: existe um governo totalitário, o ConGenement, que controla todos os aspectos da vida dos cidadãos, do nascimento (nenhuma pessoa nasce naturalmente, apenas através de clonagem) à morte, quando as pessoas praticamente se sacrificam para dar origem aos novos habitantes da colônia. Temos um cenário pós-apocalíptico: o mundo aparentemente foi quase todo destruído, e o único local que permite a sobrevivência dos seres humanos é uma colônia subterrânea, dominada pelo ConGenement. E temos um herói que se rebela, um rapaz chamado Gates, que foi concebido de forma natural (ou seja, seus pais fizeram sexo e ele nasceu nove meses depois) e procura saber como é o mundo fora da colônia, por desconfiar que há mais no mundo exterior do que o governo revela.

Esta HQ foi criada por Hal Hefner, um designer, roteirista e desenhista que concebeu todo um universo de personagens e histórias chamado The Serpent Seed – um projeto transmídia que englobaria Hqs, games e desenhos animados, contando várias histórias que se interligam. Por enquanto, Gates foi o único projeto de Serpent Seed já finalizado.

Gates possui 68 páginas, e foi disponibilizada de forma gratuita na net com o apoio da Heavy Metal Fantasy Magazine – uma antologia em quadrinhos criada na década de 70, e que já publicou nomes de peso como Moebius, Alejandro Jodorowski, Simon Bisley, Tanino Liberatore e o brasileiro Marcelo Quintanilha. Como quase toda HQ da Heavy Metal, Gates possui uma arte impressionante (embora um tanto irregular neste caso), um roteiro interessante e uma quantidade razoável de sangue e nudez. Então, fiquem avisados, sejam discretos ao ler a história em seus PCs/tablets/smartphones!

A graphic novel pode ser lida (a partir da primeira página da história, pulando frontispício e capas) aqui. Vale a pena acompanhar a história até o final. Ah sim, está em inglês!

 

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Curta-metragem: Sintel

Em 1998, a desenvolvedora de software NeoGeo Studios (nenhuma relação com o videogame de mesmo nome) criou um programa de renderização, modelagem e animação em 3D (técnica utilizada nos filmes da Pixar e da Dreamworks, por exemplo) chamado Blender.

Após a falência da empresa que vendia o software, seu fundador Ton Roosendaal fundou a Blender Foundation, lançando o programa em código aberto na net – ou seja, de graça e de uma forma que qualquer programador pudesse alterá-lo, auxiliando no desenvolvimento de versões futuras.

O Blender é um software poderoso, e muitos profissionais da indústria o recomendam, além de compararem a outros programas similares, como o Maya e o After Effects. É bastante utilizado em animações amadoras, curtas-metragens e filmes publicitários – mas muitos longas (como o argentino Plumíferos e o britânico No Mundo das Fábulas) e até alguns blockbusters (Homem-Aranha 2) se valeram do Blender.

Ok, legal a historinha, mas e daí? Bom, a Blender Foundation não quis esperar a adesão espontânea dos clientes para que o Blender se tornasse popular. A organização resolveu criar os próprios curtas-metragens para mostrar ao público a capacidade do programa, bem como as novas funcionalidades de cada nova versão. Assim, fomos agraciados com pérolas como Elephants Dream, Tears of Steel, Big Buck Bunny e o fantástico Sintel, de longe o mais popular de todos.

Dirigido por Colin Levy – um cara muito talentoso, que aparecerá mais vezes neste blog – Sintel se passa num mundo de fantasia, e conta a história de uma garota (Sintel, palavra holandesa que significa “brasa” ou “centelha”), adolescente que sobrevive de furtos numa vila medieval. Ela vive sozinha, até o dia que encontra Escamas, um filhote de dragão que se torna seu único amigo. A história que se segue é muito bacana, contando com um final surpreendente e emocionante.

Esse curta, assim como os outros da Blender Foundation, foi financiado no esquema de crowdfunding, ou seja, com a ajuda de fãs do mundo inteiro. O enredo foi baseado numa ideia de Martin Lodewijk – veterano roteirista holandês de histórias em quadrinhos, responsável pelo excelente Storm – e foi escrito por Esther Wouda.

O filme pode ser baixado no site oficial e em vários outros locais pela net afora, em vários formatos. Existem legendas em vários idiomas, incluindo o português. É um curta altamente recomendável para que aprecia animação e fantasia.

Abaixo, a versão legendada em português: