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Diretor: Os sombrios curtas-metragens de Grzegorz Jonkajtys

Guardem bem o nome de Grzegorz Jonkajtys.  Não apenas porque é um nome horrivelmente difícil de escrever, mas também porque esse desenhista e animador polonês tem muitas chances de se tornar um dos grandes diretores de cinema num futuro próximo.

Nascido em 1972 na cidade de Varsóvia, Jonkajtys começou sua carreira na empresa polonesa Platige Image, onde dirigiu comerciais e curtas-metragens (falaremos deles mais adiante). Enquanto estava na Platige, Jonkajtys também trabalhou criando os efeitos especiais em CGI para filmes como Sin City, Hellboy, o Labirinto do Fauno, Círculo de Fogo, Star Trek e Capitão América 2, entre outros.

Seus curtas-metragens se destacam por possuírem uma atmosfera sombria, um design de personagens grotesco – nas animações, mesmo os humanos se assemelham a alienígenas – e enredos onde predominam a dor e o sofrimento. Não é material a ser mostrado para crianças, então estejam avisados!

O primeiro curta deste artista chama-se Mantis, e foi lançado em 2001. Mantis significa “louva-a-deus” em inglês, e quem conhece o comportamento peculiar desse inseto talvez já saiba o que esperar deste filme:

O segundo filme de Jonkajtys chama-se Ark – e foi essa produção que o fez ser conhecido internacionalmente, ao vencer a Palma de Ouro em Cannes em 2007. Ark se passa num futuro onde um vírus exterminou grande parte da população do planeta. e os sobreviventes passaram a viver em gigantescos navios, viajando pelo oceano sem destino certo. Mas nada é o que parece, como podem conferir abaixo:

Em 2008, aparece o curtíssimo Legacy, de apenas 3 minutos. Não tem como dizer nada sobre o enredo de Legacy sem estragar surpresas, é melhor conferir com os próprios olhos:

Finalmente, em 2010, é lançado The 3rd Letter (a Terceira Carta), o primeiro trabalho em live action do diretor. Num futuro distópico (já deu para perceber o quanto Jonkajtys gosta deste cenário, né?) o clima se deteriorou a tal ponto que as pessoas necessitam de órgãos artificiais para sobreviver. Sim, lembra um pouco o enredo básico do filme Repo Men  – O Resgate de Órgãos, mas o desenrolar é mais realista, relacionado às consequências de se assinar um contrato de plano de saúde com cláusulas draconianas. Infelizmente, ao contrário dos outros curtas mencionados, The 3rd Letter possui diálogos em inglês sem legendas, então só dominando o idioma para entender! Confiram:

Atualmente, Jonkajtys vive em São Francisco, nos EUA, e se prepara para dirigir o seu primeiro longa, intitulado The Fourth Horseman.

Página oficial: http://www.jonkajtysfilm.com/
Ark: stream e download.
Legacy: stream e download. Link alternativo: http://vodo.net/legacy
The 3rd Letter: stream e download. Link alternativo (vem na coletânea de curtas Otherworlds, que também possui outros filmes muito interessantes): http://vodo.net/otherworlds

Curta-metragem: Sintel

Em 1998, a desenvolvedora de software NeoGeo Studios (nenhuma relação com o videogame de mesmo nome) criou um programa de renderização, modelagem e animação em 3D (técnica utilizada nos filmes da Pixar e da Dreamworks, por exemplo) chamado Blender.

Após a falência da empresa que vendia o software, seu fundador Ton Roosendaal fundou a Blender Foundation, lançando o programa em código aberto na net – ou seja, de graça e de uma forma que qualquer programador pudesse alterá-lo, auxiliando no desenvolvimento de versões futuras.

O Blender é um software poderoso, e muitos profissionais da indústria o recomendam, além de compararem a outros programas similares, como o Maya e o After Effects. É bastante utilizado em animações amadoras, curtas-metragens e filmes publicitários – mas muitos longas (como o argentino Plumíferos e o britânico No Mundo das Fábulas) e até alguns blockbusters (Homem-Aranha 2) se valeram do Blender.

Ok, legal a historinha, mas e daí? Bom, a Blender Foundation não quis esperar a adesão espontânea dos clientes para que o Blender se tornasse popular. A organização resolveu criar os próprios curtas-metragens para mostrar ao público a capacidade do programa, bem como as novas funcionalidades de cada nova versão. Assim, fomos agraciados com pérolas como Elephants Dream, Tears of Steel, Big Buck Bunny e o fantástico Sintel, de longe o mais popular de todos.

Dirigido por Colin Levy – um cara muito talentoso, que aparecerá mais vezes neste blog – Sintel se passa num mundo de fantasia, e conta a história de uma garota (Sintel, palavra holandesa que significa “brasa” ou “centelha”), adolescente que sobrevive de furtos numa vila medieval. Ela vive sozinha, até o dia que encontra Escamas, um filhote de dragão que se torna seu único amigo. A história que se segue é muito bacana, contando com um final surpreendente e emocionante.

Esse curta, assim como os outros da Blender Foundation, foi financiado no esquema de crowdfunding, ou seja, com a ajuda de fãs do mundo inteiro. O enredo foi baseado numa ideia de Martin Lodewijk – veterano roteirista holandês de histórias em quadrinhos, responsável pelo excelente Storm – e foi escrito por Esther Wouda.

O filme pode ser baixado no site oficial e em vários outros locais pela net afora, em vários formatos. Existem legendas em vários idiomas, incluindo o português. É um curta altamente recomendável para que aprecia animação e fantasia.

Abaixo, a versão legendada em português: