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Música: Torture Division, coisa linda de Deus (só que não)

Tudo nesse mundo é comercializável, até mesmo a arte. Nada contra, afinal, se você tem um talento, qual é o problema em capitalizar em cima dele? Contudo, admiro deveras quando um artista, mesmo possuidor de talento e meios para fazer dinheiro com ele, oferece o produto de sua labuta de graça, para todos desfrutarem. É por isso que esse blog existe, para falar de pessoas como os membros da banda sueca Torture Division.

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“We are Torture Division. We are an army of three. We are the world’s best death metal band, simply put.”
É desse jeito “humilde” que a banda Torture Division inicia o texto da própria biografia. Se trata de uma brincadeira, é claro, mas o fato é que o trio sabe como fazer um death metal com maestria – sem dever nada a bandas de longa carreira como Cannibal Corpse ou Deicide. Não que os membros do TD sejam amadores: o guitarrista (e provável líder da banda) Lord K. Philipson toca no The Project Hate MCMXCIX, grupo de death metal industrial com alguns anos de estrada; o batera Toben Gustafsson pulverizava baquetas no Vomitory; e o baixista/vocalista Jörgen Sandström já foi membro do Entombed!

Uma canção com um título muito edificante

Os três se reuniram em 2007, com intenção de gravar algumas demos e… bem, eles ainda gravam demos, pois dizem não possuir interesse em produzir álbuns completos. O interessante é que essas “demos” tem uma qualidade de gravação absurda, coisa profissional mesmo, tendo sido mixadas e masterizadas pelo lendário Dan Swanö (a mente por trás das bandas Edge of Sanity e Nightingale) em seu estúdio Unisound.

A banda lança uma coletânea a cada três demos. Já saíram três trilogias até o momento, e eles estão dando um “tapa” final no novo lançamento.

Outra coisa bacana é que toda a música do Torture Division está disponível na licença Creative Commons 4.0, ou seja, ela pode ser distribuída em qualquer formato, e também pode ser “coverizada” ou remixada por quem que seja – desde que a autoria da canção original seja atribuída aos membros da banda. Tem como não gostar desses caras? Tem, se você tiver ouvidos sensíveis, hehe!

Página oficial: http://www.torturedivision.net/
Baixar (música e arte das capas): http://www.torturedivision.net/downloadgraphy

Diretor: Os sombrios curtas-metragens de Grzegorz Jonkajtys

Guardem bem o nome de Grzegorz Jonkajtys.  Não apenas porque é um nome horrivelmente difícil de escrever, mas também porque esse desenhista e animador polonês tem muitas chances de se tornar um dos grandes diretores de cinema num futuro próximo.

Nascido em 1972 na cidade de Varsóvia, Jonkajtys começou sua carreira na empresa polonesa Platige Image, onde dirigiu comerciais e curtas-metragens (falaremos deles mais adiante). Enquanto estava na Platige, Jonkajtys também trabalhou criando os efeitos especiais em CGI para filmes como Sin City, Hellboy, o Labirinto do Fauno, Círculo de Fogo, Star Trek e Capitão América 2, entre outros.

Seus curtas-metragens se destacam por possuírem uma atmosfera sombria, um design de personagens grotesco – nas animações, mesmo os humanos se assemelham a alienígenas – e enredos onde predominam a dor e o sofrimento. Não é material a ser mostrado para crianças, então estejam avisados!

O primeiro curta deste artista chama-se Mantis, e foi lançado em 2001. Mantis significa “louva-a-deus” em inglês, e quem conhece o comportamento peculiar desse inseto talvez já saiba o que esperar deste filme:

O segundo filme de Jonkajtys chama-se Ark – e foi essa produção que o fez ser conhecido internacionalmente, ao vencer a Palma de Ouro em Cannes em 2007. Ark se passa num futuro onde um vírus exterminou grande parte da população do planeta. e os sobreviventes passaram a viver em gigantescos navios, viajando pelo oceano sem destino certo. Mas nada é o que parece, como podem conferir abaixo:

Em 2008, aparece o curtíssimo Legacy, de apenas 3 minutos. Não tem como dizer nada sobre o enredo de Legacy sem estragar surpresas, é melhor conferir com os próprios olhos:

Finalmente, em 2010, é lançado The 3rd Letter (a Terceira Carta), o primeiro trabalho em live action do diretor. Num futuro distópico (já deu para perceber o quanto Jonkajtys gosta deste cenário, né?) o clima se deteriorou a tal ponto que as pessoas necessitam de órgãos artificiais para sobreviver. Sim, lembra um pouco o enredo básico do filme Repo Men  – O Resgate de Órgãos, mas o desenrolar é mais realista, relacionado às consequências de se assinar um contrato de plano de saúde com cláusulas draconianas. Infelizmente, ao contrário dos outros curtas mencionados, The 3rd Letter possui diálogos em inglês sem legendas, então só dominando o idioma para entender! Confiram:

Atualmente, Jonkajtys vive em São Francisco, nos EUA, e se prepara para dirigir o seu primeiro longa, intitulado The Fourth Horseman.

Página oficial: http://www.jonkajtysfilm.com/
Ark: stream e download.
Legacy: stream e download. Link alternativo: http://vodo.net/legacy
The 3rd Letter: stream e download. Link alternativo (vem na coletânea de curtas Otherworlds, que também possui outros filmes muito interessantes): http://vodo.net/otherworlds

Webcomic: Gates

Distopias são comuns na ficção em geral. Na literatura, temos livros consagrados como 1984, Admirável Mundo Novo e o brasileiro Não Verás País Nenhum. No cinema, existem inúmeros exemplos, como Mad Max, O Livro de Eli, O Preço do amanhã e MUITOS outros (aliás, é engraçado, mas parece que as distopias de Hollywood se dividem em futuros-pós-apocalípticos-dominados-por-gangues e futuros-ultra-tecnológicos-dominados-por-governos-totalitários). E nos quadrinhos, então? Uma porrada de histórias, sendo V de Vingança uma dos melhores – e mais populares atualmente.

Porque apreciamos tanto contar e usufruir histórias sobre distopias? Sem querer filosofar muito, eu acho que sabemos que a situação atual está ruim, temos consciência de que irá piorar, mas também possuímos esperança de que alguém irá nos salvar. Afinal, uma das coisas essenciais a uma distopia é um protagonista que enfrenta o sistema!

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Pois com Gates, a webcomic da qual falarei, não é diferente. Vejamos: existe um governo totalitário, o ConGenement, que controla todos os aspectos da vida dos cidadãos, do nascimento (nenhuma pessoa nasce naturalmente, apenas através de clonagem) à morte, quando as pessoas praticamente se sacrificam para dar origem aos novos habitantes da colônia. Temos um cenário pós-apocalíptico: o mundo aparentemente foi quase todo destruído, e o único local que permite a sobrevivência dos seres humanos é uma colônia subterrânea, dominada pelo ConGenement. E temos um herói que se rebela, um rapaz chamado Gates, que foi concebido de forma natural (ou seja, seus pais fizeram sexo e ele nasceu nove meses depois) e procura saber como é o mundo fora da colônia, por desconfiar que há mais no mundo exterior do que o governo revela.

Esta HQ foi criada por Hal Hefner, um designer, roteirista e desenhista que concebeu todo um universo de personagens e histórias chamado The Serpent Seed – um projeto transmídia que englobaria Hqs, games e desenhos animados, contando várias histórias que se interligam. Por enquanto, Gates foi o único projeto de Serpent Seed já finalizado.

Gates possui 68 páginas, e foi disponibilizada de forma gratuita na net com o apoio da Heavy Metal Fantasy Magazine – uma antologia em quadrinhos criada na década de 70, e que já publicou nomes de peso como Moebius, Alejandro Jodorowski, Simon Bisley, Tanino Liberatore e o brasileiro Marcelo Quintanilha. Como quase toda HQ da Heavy Metal, Gates possui uma arte impressionante (embora um tanto irregular neste caso), um roteiro interessante e uma quantidade razoável de sangue e nudez. Então, fiquem avisados, sejam discretos ao ler a história em seus PCs/tablets/smartphones!

A graphic novel pode ser lida (a partir da primeira página da história, pulando frontispício e capas) aqui. Vale a pena acompanhar a história até o final. Ah sim, está em inglês!

 

Curta-metragem: Sintel

Em 1998, a desenvolvedora de software NeoGeo Studios (nenhuma relação com o videogame de mesmo nome) criou um programa de renderização, modelagem e animação em 3D (técnica utilizada nos filmes da Pixar e da Dreamworks, por exemplo) chamado Blender.

Após a falência da empresa que vendia o software, seu fundador Ton Roosendaal fundou a Blender Foundation, lançando o programa em código aberto na net – ou seja, de graça e de uma forma que qualquer programador pudesse alterá-lo, auxiliando no desenvolvimento de versões futuras.

O Blender é um software poderoso, e muitos profissionais da indústria o recomendam, além de compararem a outros programas similares, como o Maya e o After Effects. É bastante utilizado em animações amadoras, curtas-metragens e filmes publicitários – mas muitos longas (como o argentino Plumíferos e o britânico No Mundo das Fábulas) e até alguns blockbusters (Homem-Aranha 2) se valeram do Blender.

Ok, legal a historinha, mas e daí? Bom, a Blender Foundation não quis esperar a adesão espontânea dos clientes para que o Blender se tornasse popular. A organização resolveu criar os próprios curtas-metragens para mostrar ao público a capacidade do programa, bem como as novas funcionalidades de cada nova versão. Assim, fomos agraciados com pérolas como Elephants Dream, Tears of Steel, Big Buck Bunny e o fantástico Sintel, de longe o mais popular de todos.

Dirigido por Colin Levy – um cara muito talentoso, que aparecerá mais vezes neste blog – Sintel se passa num mundo de fantasia, e conta a história de uma garota (Sintel, palavra holandesa que significa “brasa” ou “centelha”), adolescente que sobrevive de furtos numa vila medieval. Ela vive sozinha, até o dia que encontra Escamas, um filhote de dragão que se torna seu único amigo. A história que se segue é muito bacana, contando com um final surpreendente e emocionante.

Esse curta, assim como os outros da Blender Foundation, foi financiado no esquema de crowdfunding, ou seja, com a ajuda de fãs do mundo inteiro. O enredo foi baseado numa ideia de Martin Lodewijk – veterano roteirista holandês de histórias em quadrinhos, responsável pelo excelente Storm – e foi escrito por Esther Wouda.

O filme pode ser baixado no site oficial e em vários outros locais pela net afora, em vários formatos. Existem legendas em vários idiomas, incluindo o português. É um curta altamente recomendável para que aprecia animação e fantasia.

Abaixo, a versão legendada em português: