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Webcomic: Os quadrinhos em domínio público de STEVE DITKO!

Quem lê quadrinhos de super-heróis tem ao menos uma noção de quem é Steve Ditko – co-criador do Homem-Aranha, além de outros personagens icônicos (tá certo, alguns nem tão icônicos assim…) da Marvel e da DC: o mago Doutor Estranho, o implacável Questão (e seu remake, Mister A), o excêntrico Rastejante, o divertido Besouro Azul, a dupla Rapina e Columba…

Alguns dos personagens criados por Steve Ditko.

Alguns dos personagens criados por Steve Ditko.

Ditko é um artista de longa carreira, tendo começado profissionalmente em 1953. Durante quase toda a década de 50, ele trabalhou para uma companhia chamada Charlton Comics – editora que produzia variados títulos em quadrinhos, de super-heróis a faroeste, passando por antologias de horror, ficção científica e HQs românticas. Boa parte dos super-heróis da Charlton –  Capitão Átomo, além dos já mencionados Besouro Azul e Questão, entre outros – foram adquiridos pela DC Comics em 1983, e adicionados ao universo de seus próprios super-heróis logo em seguida.

Um retrato do "hômi" e seus personagens. Capa da revista Ditkomania nº 72, desenhada por Larry Blake.

Um retrato do “hômi” e seus personagens. Capa da revista Ditkomania nº 72, desenhada por Larry Blake.

Mas aqui não falaremos dos super-heróis da Charlton, nem mesmo aqueles criados por Ditko. Nosso foco recai sobre as fantásticas HQs desse artista, produzidas para a Charlton… e que entraram em Domínio Público! Sim, muitos títulos da Charlton não tiveram o seu copyright renovado – numa época quando isso era necessário – e consequentemente tiveram seus direitos expirados. E o que isso significa? Que qualquer um pode fazer o que quiser com essas histórias: utilizar os seus desenhos e enredos em outros trabalhos, sejam quadrinhos ou não;  traduzi-las para outros idiomas (embora ninguém tenha feito isso ainda); adaptá-las para outros meios (como cinema, animação ou, sei lá, radionovelas, a imaginação é o limite!); ou então, simplesmente, distribui-las gratuitamente na net, sem perigo de ser processado por quem quer que seja. Portais como o The Digital Comic Museum e o Comic Book Plus realizam o trabalho de reunir essas HQs e disponibilizá-las ao público.

E o blog “quase-oficial” de Steve Ditko reuniu todas as histórias produzidas pelo artista para a Charlton Comics e que já estão em domínio público! Ele era bastante prolífico, tendo criado pelo menos 206 HQs num período de 7 anos – como cada história tem em média 4 páginas, temos então quase 900 páginas de quadrinhos para ler gratuitamente!

Na sua maioria, são quadrinhos de ficção científica e terror, com algumas incursões no faroeste – embora todas as HQs tenham um componente fantástico e inusitado, além de um final que visa surpreender o leitor. Existe muita coisa que não surpreende mais ninguém hoje em dia, visto que somos bombardeados com histórias constantemente, por tudo quanto é mídia. Entretanto, há muitas pérolas no meio de todos esses contos de Ditko: a narrativa do artista é sempre excelente. Os desenhos, embora um pouco fora de moda de acordo com os padrões dos quadrinhos atuais, são muito bem executados, com personagens expressivos, cenários soberbos e cenas de ação dinâmicas. E os roteiros são, no mínimo, interessantes.

Isso é que é poder de síntese: Moment of Decision, HQ de uma página só!

Isso é que é poder de síntese: Moment of Decision, HQ de uma página só!

Uma das minhas HQs favoritas chama-se Automata Ultima, onde máquinas continuam a construir armas mesmo depois de finda a guerra. Bela narração, com imagens de ficção científica retrô e uma pequena lição de moral. Abaixo, reproduzo a história na íntegra:

ultima1

ultima2

ultima3

Outro conto que aprecio bastante chame-se Desert Spell, e fala de um comandante nazista que ressurge alguns anos após à guerra, e planeja ressuscitar o Terceiro Reich. Aqui vemos uma diagramação soberba – sem falar no protagonista, fisicamente muito parecido com o Norman Osborn, que Ditko criaria alguns anos depois… Aqui, reproduzo apenas uma das páginas da obra:

desertspell3

Todas as HQs podem ser lidas neste link.

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Diretor: Os sombrios curtas-metragens de Grzegorz Jonkajtys

Guardem bem o nome de Grzegorz Jonkajtys.  Não apenas porque é um nome horrivelmente difícil de escrever, mas também porque esse desenhista e animador polonês tem muitas chances de se tornar um dos grandes diretores de cinema num futuro próximo.

Nascido em 1972 na cidade de Varsóvia, Jonkajtys começou sua carreira na empresa polonesa Platige Image, onde dirigiu comerciais e curtas-metragens (falaremos deles mais adiante). Enquanto estava na Platige, Jonkajtys também trabalhou criando os efeitos especiais em CGI para filmes como Sin City, Hellboy, o Labirinto do Fauno, Círculo de Fogo, Star Trek e Capitão América 2, entre outros.

Seus curtas-metragens se destacam por possuírem uma atmosfera sombria, um design de personagens grotesco – nas animações, mesmo os humanos se assemelham a alienígenas – e enredos onde predominam a dor e o sofrimento. Não é material a ser mostrado para crianças, então estejam avisados!

O primeiro curta deste artista chama-se Mantis, e foi lançado em 2001. Mantis significa “louva-a-deus” em inglês, e quem conhece o comportamento peculiar desse inseto talvez já saiba o que esperar deste filme:

O segundo filme de Jonkajtys chama-se Ark – e foi essa produção que o fez ser conhecido internacionalmente, ao vencer a Palma de Ouro em Cannes em 2007. Ark se passa num futuro onde um vírus exterminou grande parte da população do planeta. e os sobreviventes passaram a viver em gigantescos navios, viajando pelo oceano sem destino certo. Mas nada é o que parece, como podem conferir abaixo:

Em 2008, aparece o curtíssimo Legacy, de apenas 3 minutos. Não tem como dizer nada sobre o enredo de Legacy sem estragar surpresas, é melhor conferir com os próprios olhos:

Finalmente, em 2010, é lançado The 3rd Letter (a Terceira Carta), o primeiro trabalho em live action do diretor. Num futuro distópico (já deu para perceber o quanto Jonkajtys gosta deste cenário, né?) o clima se deteriorou a tal ponto que as pessoas necessitam de órgãos artificiais para sobreviver. Sim, lembra um pouco o enredo básico do filme Repo Men  – O Resgate de Órgãos, mas o desenrolar é mais realista, relacionado às consequências de se assinar um contrato de plano de saúde com cláusulas draconianas. Infelizmente, ao contrário dos outros curtas mencionados, The 3rd Letter possui diálogos em inglês sem legendas, então só dominando o idioma para entender! Confiram:

Atualmente, Jonkajtys vive em São Francisco, nos EUA, e se prepara para dirigir o seu primeiro longa, intitulado The Fourth Horseman.

Página oficial: http://www.jonkajtysfilm.com/
Ark: stream e download.
Legacy: stream e download. Link alternativo: http://vodo.net/legacy
The 3rd Letter: stream e download. Link alternativo (vem na coletânea de curtas Otherworlds, que também possui outros filmes muito interessantes): http://vodo.net/otherworlds

Diretor: Bruce Branit, construtor de mundos

Bruce Branit é um nome relativamente desconhecido do público de cinema, embora já seja um veterano da indústria: Branit é dono da BanitFX, empresa que cria efeitos especiais de produções como Lost, Breaking Bad, Fringe, Person of Interest e Pushing Daisies (Um Toque de Vida).

Mas o que nos interessa aqui são os dois dos curtas-metragens que ele realizou como diretor. O primeiro deles é 405, feito lá no ano 2000, quando o Youtube ainda não existia e os programas de renderização em CGI eram bem mais caros (não havia um software, como o Blender, disponível ao público geral). 405 trata de um pouso forçado numa auto-estrada, com um toque de humor e absurdo. Vejam abaixo, não é necessário entender inglês para apreciar:

 Um outro curta deste diretor se chama World Builder, iniciado em 2004 e finalizado em 2007. Muito mais ambicioso que 405, este filme conta a história de um homem que tenta construir um bairro italiano num mundo virtual, antes que o prazo se esgote. Mas por qual motivo? Assista abaixo para saber! Aqui, conhecimentos da língua inglesa também são dispensados:

 

 Apesar da qualidade, o diretor declarou numa entrevista muito bacana que este curta foi rejeitado em vários festivais de cinema no mundo. Contudo, venceu prêmios em todas as mostras onde foi aceito! E aguardem, Branit declarou sobre a possibilidade de uma versão em longa-metragem desta história em breve.

Conheça mais sobre o realizador aqui.

Webcomic: Gates

Distopias são comuns na ficção em geral. Na literatura, temos livros consagrados como 1984, Admirável Mundo Novo e o brasileiro Não Verás País Nenhum. No cinema, existem inúmeros exemplos, como Mad Max, O Livro de Eli, O Preço do amanhã e MUITOS outros (aliás, é engraçado, mas parece que as distopias de Hollywood se dividem em futuros-pós-apocalípticos-dominados-por-gangues e futuros-ultra-tecnológicos-dominados-por-governos-totalitários). E nos quadrinhos, então? Uma porrada de histórias, sendo V de Vingança uma dos melhores – e mais populares atualmente.

Porque apreciamos tanto contar e usufruir histórias sobre distopias? Sem querer filosofar muito, eu acho que sabemos que a situação atual está ruim, temos consciência de que irá piorar, mas também possuímos esperança de que alguém irá nos salvar. Afinal, uma das coisas essenciais a uma distopia é um protagonista que enfrenta o sistema!

Imagem

Pois com Gates, a webcomic da qual falarei, não é diferente. Vejamos: existe um governo totalitário, o ConGenement, que controla todos os aspectos da vida dos cidadãos, do nascimento (nenhuma pessoa nasce naturalmente, apenas através de clonagem) à morte, quando as pessoas praticamente se sacrificam para dar origem aos novos habitantes da colônia. Temos um cenário pós-apocalíptico: o mundo aparentemente foi quase todo destruído, e o único local que permite a sobrevivência dos seres humanos é uma colônia subterrânea, dominada pelo ConGenement. E temos um herói que se rebela, um rapaz chamado Gates, que foi concebido de forma natural (ou seja, seus pais fizeram sexo e ele nasceu nove meses depois) e procura saber como é o mundo fora da colônia, por desconfiar que há mais no mundo exterior do que o governo revela.

Esta HQ foi criada por Hal Hefner, um designer, roteirista e desenhista que concebeu todo um universo de personagens e histórias chamado The Serpent Seed – um projeto transmídia que englobaria Hqs, games e desenhos animados, contando várias histórias que se interligam. Por enquanto, Gates foi o único projeto de Serpent Seed já finalizado.

Gates possui 68 páginas, e foi disponibilizada de forma gratuita na net com o apoio da Heavy Metal Fantasy Magazine – uma antologia em quadrinhos criada na década de 70, e que já publicou nomes de peso como Moebius, Alejandro Jodorowski, Simon Bisley, Tanino Liberatore e o brasileiro Marcelo Quintanilha. Como quase toda HQ da Heavy Metal, Gates possui uma arte impressionante (embora um tanto irregular neste caso), um roteiro interessante e uma quantidade razoável de sangue e nudez. Então, fiquem avisados, sejam discretos ao ler a história em seus PCs/tablets/smartphones!

A graphic novel pode ser lida (a partir da primeira página da história, pulando frontispício e capas) aqui. Vale a pena acompanhar a história até o final. Ah sim, está em inglês!