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PES, mago da animação stop-motion

Veja os objetos ao seu redor. Papéis, lápis, caneta. Na cozinha, talheres, pratos, copos. Em algum lugar da sua casa, quem sabe, existe uma almofadinha para espetar alfinetes, aquele velho brinquedo conhecido como Pega-Varetas, ou até mesmo um alicate. Você consegue imaginar esses objetos de uma forma diferente? As varetas não poderiam ser convertidas em macarrão? Aquela almofadinha vermelhinha, parece um tomate, não é? E o alicate, igualzinho a um peixe, não?

Bom, o fato é que teve um cara que pensou tudo isso. E mais, utilizou a técnica de stop-motion para realizar inspirados curtas-metragens baseados nesses princípios, da semelhança insuspeita dos objetos cotidianos com coisas bem diferentes. Esse cara é conhecido como PES – nome artístico do cineasta estadunidense Adam Pesapane. Minha descrição de seus filmes pode não empolgar muito, entretanto ele já foi elogiado por pessoas como o cineasta Michel Gondry (diretor de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças) e teve o seu filme Fresh Guacamole indicado ao Oscar – Fresh Guacamole também é conhecido por ter sido o filme mais curto já indicado ao Oscar, pois dura apenas dois minutos! Veja:

Outro curta que salta aos olhos é The Deep, onde ferramentas diversas são convertidas em criaturas marinhas das fossas abissais. Deleitem-se:

Impressionante, não? E fazer isso é um trabalho miserável, visto que o próprio PES afirma que só consegue filmar alguns segundos por dia. Para quem estiver curioso sobre o seu método de trabalho, o cineasta tem dois making ofs disponíveis em sua página oficial.

Atualmente, o animador conseguiu financiamento para o seu novo curta, Submarine Sandwich, através de um site de financiamento coletivo. Ele também foi escolhido para dirigir um longa-metragem baseado na nojenta coleção de figurinhas Garbage Pail Kids (conhecidas aqui no Brasil como Gang do Lixo).

Mas sabe qual é o melhor de tudo isso? É que TODOS os seus filmes podem ser vistos, de graça, na página oficial do cineasta ou em seu canal do You Tube – incluindo seus filmes publicitários. Aproveitem!

Página oficial: http://eatpes.com/

Canal do Youtube: http://www.youtube.com/user/PESfilm

Diretor: Os sombrios curtas-metragens de Grzegorz Jonkajtys

Guardem bem o nome de Grzegorz Jonkajtys.  Não apenas porque é um nome horrivelmente difícil de escrever, mas também porque esse desenhista e animador polonês tem muitas chances de se tornar um dos grandes diretores de cinema num futuro próximo.

Nascido em 1972 na cidade de Varsóvia, Jonkajtys começou sua carreira na empresa polonesa Platige Image, onde dirigiu comerciais e curtas-metragens (falaremos deles mais adiante). Enquanto estava na Platige, Jonkajtys também trabalhou criando os efeitos especiais em CGI para filmes como Sin City, Hellboy, o Labirinto do Fauno, Círculo de Fogo, Star Trek e Capitão América 2, entre outros.

Seus curtas-metragens se destacam por possuírem uma atmosfera sombria, um design de personagens grotesco – nas animações, mesmo os humanos se assemelham a alienígenas – e enredos onde predominam a dor e o sofrimento. Não é material a ser mostrado para crianças, então estejam avisados!

O primeiro curta deste artista chama-se Mantis, e foi lançado em 2001. Mantis significa “louva-a-deus” em inglês, e quem conhece o comportamento peculiar desse inseto talvez já saiba o que esperar deste filme:

O segundo filme de Jonkajtys chama-se Ark – e foi essa produção que o fez ser conhecido internacionalmente, ao vencer a Palma de Ouro em Cannes em 2007. Ark se passa num futuro onde um vírus exterminou grande parte da população do planeta. e os sobreviventes passaram a viver em gigantescos navios, viajando pelo oceano sem destino certo. Mas nada é o que parece, como podem conferir abaixo:

Em 2008, aparece o curtíssimo Legacy, de apenas 3 minutos. Não tem como dizer nada sobre o enredo de Legacy sem estragar surpresas, é melhor conferir com os próprios olhos:

Finalmente, em 2010, é lançado The 3rd Letter (a Terceira Carta), o primeiro trabalho em live action do diretor. Num futuro distópico (já deu para perceber o quanto Jonkajtys gosta deste cenário, né?) o clima se deteriorou a tal ponto que as pessoas necessitam de órgãos artificiais para sobreviver. Sim, lembra um pouco o enredo básico do filme Repo Men  – O Resgate de Órgãos, mas o desenrolar é mais realista, relacionado às consequências de se assinar um contrato de plano de saúde com cláusulas draconianas. Infelizmente, ao contrário dos outros curtas mencionados, The 3rd Letter possui diálogos em inglês sem legendas, então só dominando o idioma para entender! Confiram:

Atualmente, Jonkajtys vive em São Francisco, nos EUA, e se prepara para dirigir o seu primeiro longa, intitulado The Fourth Horseman.

Página oficial: http://www.jonkajtysfilm.com/
Ark: stream e download.
Legacy: stream e download. Link alternativo: http://vodo.net/legacy
The 3rd Letter: stream e download. Link alternativo (vem na coletânea de curtas Otherworlds, que também possui outros filmes muito interessantes): http://vodo.net/otherworlds

Diretor: Bruce Branit, construtor de mundos

Bruce Branit é um nome relativamente desconhecido do público de cinema, embora já seja um veterano da indústria: Branit é dono da BanitFX, empresa que cria efeitos especiais de produções como Lost, Breaking Bad, Fringe, Person of Interest e Pushing Daisies (Um Toque de Vida).

Mas o que nos interessa aqui são os dois dos curtas-metragens que ele realizou como diretor. O primeiro deles é 405, feito lá no ano 2000, quando o Youtube ainda não existia e os programas de renderização em CGI eram bem mais caros (não havia um software, como o Blender, disponível ao público geral). 405 trata de um pouso forçado numa auto-estrada, com um toque de humor e absurdo. Vejam abaixo, não é necessário entender inglês para apreciar:

 Um outro curta deste diretor se chama World Builder, iniciado em 2004 e finalizado em 2007. Muito mais ambicioso que 405, este filme conta a história de um homem que tenta construir um bairro italiano num mundo virtual, antes que o prazo se esgote. Mas por qual motivo? Assista abaixo para saber! Aqui, conhecimentos da língua inglesa também são dispensados:

 

 Apesar da qualidade, o diretor declarou numa entrevista muito bacana que este curta foi rejeitado em vários festivais de cinema no mundo. Contudo, venceu prêmios em todas as mostras onde foi aceito! E aguardem, Branit declarou sobre a possibilidade de uma versão em longa-metragem desta história em breve.

Conheça mais sobre o realizador aqui.

Curta-metragem: Sintel

Em 1998, a desenvolvedora de software NeoGeo Studios (nenhuma relação com o videogame de mesmo nome) criou um programa de renderização, modelagem e animação em 3D (técnica utilizada nos filmes da Pixar e da Dreamworks, por exemplo) chamado Blender.

Após a falência da empresa que vendia o software, seu fundador Ton Roosendaal fundou a Blender Foundation, lançando o programa em código aberto na net – ou seja, de graça e de uma forma que qualquer programador pudesse alterá-lo, auxiliando no desenvolvimento de versões futuras.

O Blender é um software poderoso, e muitos profissionais da indústria o recomendam, além de compararem a outros programas similares, como o Maya e o After Effects. É bastante utilizado em animações amadoras, curtas-metragens e filmes publicitários – mas muitos longas (como o argentino Plumíferos e o britânico No Mundo das Fábulas) e até alguns blockbusters (Homem-Aranha 2) se valeram do Blender.

Ok, legal a historinha, mas e daí? Bom, a Blender Foundation não quis esperar a adesão espontânea dos clientes para que o Blender se tornasse popular. A organização resolveu criar os próprios curtas-metragens para mostrar ao público a capacidade do programa, bem como as novas funcionalidades de cada nova versão. Assim, fomos agraciados com pérolas como Elephants Dream, Tears of Steel, Big Buck Bunny e o fantástico Sintel, de longe o mais popular de todos.

Dirigido por Colin Levy – um cara muito talentoso, que aparecerá mais vezes neste blog – Sintel se passa num mundo de fantasia, e conta a história de uma garota (Sintel, palavra holandesa que significa “brasa” ou “centelha”), adolescente que sobrevive de furtos numa vila medieval. Ela vive sozinha, até o dia que encontra Escamas, um filhote de dragão que se torna seu único amigo. A história que se segue é muito bacana, contando com um final surpreendente e emocionante.

Esse curta, assim como os outros da Blender Foundation, foi financiado no esquema de crowdfunding, ou seja, com a ajuda de fãs do mundo inteiro. O enredo foi baseado numa ideia de Martin Lodewijk – veterano roteirista holandês de histórias em quadrinhos, responsável pelo excelente Storm – e foi escrito por Esther Wouda.

O filme pode ser baixado no site oficial e em vários outros locais pela net afora, em vários formatos. Existem legendas em vários idiomas, incluindo o português. É um curta altamente recomendável para que aprecia animação e fantasia.

Abaixo, a versão legendada em português: